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  • Rubia Martins Freitas

Sobre sentir-se só


Sentir-se só, não está diretamente ligado ao fato de realmente estar só. Pode-se ter essa sensação, mesmo estando na companhia do outro ou no meio da multidão. Penso que quando não se gosta da própria companhia, tal sensação se intensifica.

Atualmente, essa condição tem se feito mais presente, e com todos os avanços tecnológicos e mudanças comportamentais, estamos caminhando cada dia mais para a individualidade, o que é totalmente diferente de tornar-se egoísta, diga-se de passagem.

Hoje, já não somos mais obrigados a conviver, namorar ou casar com ninguém, logo, imagina-se que a companhia de um terceiro seja uma escolha pessoal gratificante e prazerosa. A própria companhia, talvez tenha se tornado a obrigação da vez.

Diante de todos os fatos, imagino que seja muito mais difícil encontrar alguém para dividir a vida, já que temos diante de nossos olhos, tantas opções de escolhas e um ideal de realização pessoal e profissional um tanto fora da realidade, baseado em perfeição e satisfação eterna e ininterrupta. Tanto é real, que a corrida atrás da tal da felicidade é diária e vem acompanhada por um sentimento de frustração, já que a felicidade idealizada não pode ser alcançada. O problema não está na felicidade, e sim, na fantasia que se faz acerca dela.

Toda essa corrida me faz pensar se isso é uma busca ou uma fuga de si mesmo. Será assim tão difícil conhecer, aceitar e amar a si mesmo, com todos os nossos defeitos e limitações?! Mesclar as qualidades e defeitos, acertos e erros, ganhos e perdas, superações e limitações, não seria algo mais próximo a realidade da vida?! Todos esses aspectos contrários, não são adquiridos, são aspectos inatos, fazem parte da vida!

Isso não quer dizer, em hipótese alguma, que cada um se basta dentro das suas condições e que as relações externas não tem importância. Muito pelo contrário: elas são necessárias. Também não quer dizer que cada um deve permanecer no estado em que se encontra atualmente, esquecendo das possibilidades de evolução, crescimento e desenvolvimento. Quer dizer apenas que, mesmo com todos os nossos contrários, cada um ainda é capaz de descobrir, conviver e se tornar o melhor que pode ser.

Não suportar a própria companhia aumenta a sensação de solidão e tristeza. Olhar pra dentro de si pode parecer pouco agradável, a princípio, mas trata-se de uma grande oportunidade. É bem possível que ficar um tempo em sua própria companhia, revele a força que você possui aí dentro. As melhores sensações podem ser encontradas dentro de cada um. Além disso, entrar em contato consigo mesmo, permite um olhar menos crítico e mais compreensivo em relação aos outros, o que também aumenta o respeito a maneira de ser de cada um, e por fim, acaba influenciando de maneira positiva essas relações.

Depender dos outros pra ser feliz, é entregar a sua vida nas mãos de alguém com a esperança de que ela cuide de você melhor do que você mesmo, mas vamos pensar: se nem você é capaz, ou não tem gosto de cuidar da própria vida, por que acredita que o outro será? Gostar da própria companhia, também não tem nada a ver com ser esnobe ou não precisar de mais ninguém. A independência precisa de uma dose de dependência e é importante saber e poder caminhar em um campo e outro.

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